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 10.05.2009 | Cinema |

30 anos de Star Trek no cinema

 

Na semana em que chega às salas mais um versão de Star Trek, o RASCUNHO resolveu viajar no tempo e revisitar as incursões cinematográficas de um «franchise» com mais vidas do que Mr. Spock.

 

São já mais de quarenta anos de história desde que Gene Roddenberry apresentou a ideia de uma série de televisão de ficção científica. Passaram-se cinco séries de tv e dez filmes, totalizando aquela que é, com certeza, uma das mais exploradas marcas de entretenimento audiovisual.

 

Como manter fresco um produto que havia já sido tão explorado? Nos ultimos anos, a marca Star Trek não conseguia sequer atingir público em números que justificassem a sua existência (Nemesis, o último filme, mal conseguiu recuperar o seu orçamento na bilheteira e Enterprise, a ultima série, foi cancelada na quarta temporada. 

No cinema Star Trek tem o seu início em 1979. Depois do cancelamento da série original em 1969, as constantes repetições na televisão americana durante os anos 70 criaram um grupo de fãs muito consistente que justificava o regresso ao activo daquele universo.

 

A resposta inicial foi o desenvolvimento de uma segunda série, com as mesmas personagens, rapidamente convertida em aventura cinematográfica assim que 1977 assistiu ao sucesso esmagador de A Guerra das Estrelas. Apesar do morno sucesso do filme, uma sequela foi produzida, que marcaria definitivamente o regresso do universo criado por Gene Roddenberry ao convívio audiovisual.

 

De olhos postos em Khan


A Ira de Khan, o segundo filme da saga, é unanimemente considerado o momento de viragem na atenção do público à marca Star Trek. Com um orçamento de produção muito mais pequeno que o filme anterior e um realizador que não conhecia nem era fã das personagens e estórias, o produtor Harve Bennet decidiu que o melhor a fazer seria uma sequela directa, não do filme anterior mas de um episódio da série original.

 

O ritmo elevado, mais digno de um filme de aventuras do que da ficção cientifica pesada que havia sido o primeiro filme, acabou por ser a chave para o regresso definitivo também da série televisiva, agora com novas personagens e actores, avançando mais no tempo, para um futuro ainda mais distante.

 

Entretanto, na televisão, em The Next Generation Jean-Luc Picard substituía James Tiberius Kirk enquanto capitão da «Enterprise» e o lugar de frio seguidor da lógica desprovida de emoções era agora ocupado não por um Vulcano mas pelo andróide Data. Mas isto era no pequeno ecrã.

 

«Guerra Fria» intergaláctica


No grande ecrã Star Trek continuou com as personagens originais até ao filme número seis, O Continente Desconhecido que, mantendo a tradição de tratar temas contemporâneos sob a aparência de entretenimento futurista, abordou o fim da Guerra Fria, não entre os pólos Americano e Soviético, mas descrevendo o início de uma colaboração entre a Federação de Planetas Unidos e o Império Klingon.

 

Entretanto, Spock havia já morrido e ressuscitado e a tripulação da «Enterprise» viajado no tempo para impedir a extinção das baleias e encontrado Deus. Chegara então a altura do elenco de The Next Generation passar ao cinema.

 

A passagem ocorreu em 1996, com Gerações, seguindo-se mais três filmes, o ponto alto com Primeiro Contacto, também uma sequela de um episódio de uma das séries televisivas, e o claro ponto baixo Nemesis, um falhanço financeiro que levou os produtores a repensarem todo o universo Star Trek.

 

A geração Abrams


Os «franchises» não crescem nas árvores e os executivos da Paramount, o estúdio proprietário da marca Star Trek, decidiram pedir a J.J. Abrams, criador das séries televisivas A Vingadora e Perdidos, ideias para um novo filme.

 

 

Abrams não é totalmente desprovido de bom senso e identificou um dos maiores problemas da saga: requer demasiada contextualização para que se perceba devidamente o que acontece na narrativa. Posto isto, reuniu o co-criador de Perdidos, Damon Lindelof, e os argumentistas Roberto Orci e Alex Kurtzman para discutirem ideias sobre como reavivar Star Trek.

 

O regresso às origens foi a solução encontrada. Havia que recontar a estória de Kirk, Spock e McCoy, o triângulo que domina as relações interpessoais e funciona como diferentes pratos de uma mesma balança emocional.

 

Se resultou bem ou não, este reboot a uma marca com mais de quarenta anos é algo para confirmar por estes dias, em salas de cinema um pouco por todo o mundo.

Fernando Oliveira
 
etiquetaEtiquetas: Star Trek, Gene Roddenberry, Harve Bennet, Damon Lindelof, Roberto Orci, Alex Kurtzman, J.J. Abrams,  
 
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